NOTA PARA INICIAR A LEITURA DESTE BLOG: Ao ler este blog, você encontrará algumas palavras com a letra "x" no lugar dos artigos masculino e feminino "o" e "a". Essa substituição é feita na literatura libertária para subverter a linguagem machista, na qual o sexo masculino é priorizado, e para contrapor o binarismo de gênero, ideia que teoriza existir apenas os gêneros masculino e feminino, não levando em consideração transgêneros e afins. Portanto, a letra "x" é utilizada no lugar dos artigos em palavras em que o sexo não é determinado. Ex.: ao invés de dizer "outros", utiliza-se "outrxs", pois estamos falando de todo e qualquer tipo de gênero.

OUTRAS OBSERVAÇÕES IMPORTANTES: Este e-zine foi escrito em 2010, baseando-se na minha vivência pessoal dentro do movimento punk até o ano em que publiquei os textos, considerando a cena da cidade de São Paulo entre os anos de 2002 e 2010. De lá para cá, alguns pontos de vista foram amadurecendo, o senso crítico foi aumentando e, com isso, alguns dos textos podem não estar atualizados e de acordo com as novas experiências adquiridas ao longo de quase 6 anos passados após a edição deste e-zine. Coloco-me à disposição para trocar informações e debater ideias, com o intuito de manter o punk sempre vivo e ativo: mao_veg@hotmail.com . ÊRA PUNK! (nota adicionada em dezembro de 2015)

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

CAPÍTULO IV – MANIFESTAÇÕES E ORGANIZAÇÃO PRÉVIA


Xs punks não vivem apenas de gigs, pelo menos ainda existem focos de militantes que se importam com a propagação da ideia e com a ação direta em seus diversos aspectos.

Sair nas ruas em passeatas e manifestações é outra característica dxs punks. Infelizmente, parece que não são todxs xs punks interessadxs em construir algo através de protestos de rua e, em certos casos, muitxs dxs que comparecem a esses atos fazem questão de não respeitar o consenso, partindo para atos desnecessários e desconexos com a manifestação em si.

Lamentavelmente, isso se deve ao fato de que xs próprixs punks não estão se organizando como poderiam.

O movimento punk se engaja em lutas sociais de cunho anarquista, como por exemplo nas jornadas em memória do dia 1º de maio de 1886, quando houve uma greve geral em Chicago por melhorias trabalhistas. Outro exemplo é a luta operária das mulheres do dia 8 de março de 1857, quando estas reivindicavam seus direitos nas fábricas e foram brutalmente assassinadas, trancadas dentro da fábrica e queimadas vivas. Podemos ainda citar o dia 7 de setembro, quando o Bra$il comemora a farsa da independência e xs manifestantes saem às ruas para alertar que ainda vivemos sobre influências tanto externas quanto internas, numa dependência que gera desigualdade social e guerras entre nações.

Tudo isso é de extrema importância para a emancipação social e para a construção de um mundo mais ameno e justo. Mas falta organização entre xs punks e anarquistas para que se possa realmente construir coisas produtivas.

Citando o movimento atual da cidade de São Paulo, geralmente essas passeatas – mais especificamente nessas datas citadas acima – acontecem no centro da cidade. Muitas vezes, a concentração de manifestantes acontece espontaneamente, sem uma organização prévia de como seguir com a manifestação. Sabendo-se que nessas datas sempre há concentração de punks e anarquistas pelo centro, tornou-se praticamente um encontro anual/periódico de militantes, sem propostas de novas ideias e de novas ações. Alguns saem de casa nessas datas simplesmente porque sabem que irão encontrar outrxs punks/anarquistas pelo centro. Chegam ao local de concentração sem ao menos saber o que será feito durante a passeata.

Faltando embasamento e diálogo para realizar as passeatas, é comum que as ideias de cada militante entrem em divergências, o que significa uma manifestação disforme, já que durante a ação torna-se quase impossível entrar em um consenso entre todxs xs participantes.

É necessário um amplo diálogo entre xs militantes, uma organização antes das passeatas, para que se decida em consenso a rota, as formas de propagação, os materiais, etc. Dessa forma, as chances das manifestações saírem do controle dxs militantes diminuem bastante.

Outra coisa importante a se observar é o tipo de ação direta que será empregada nesses atos. Nem sempre a depredação de estabelecimentos privados se torna válida. É importante manter um foco! Se estamos manifestando pela conscientização do voto nulo, por exemplo, não há um motivo que legitime o ataque destrutivo ao patrimônio estatal (a não ser que haja realmente um contexto para essa ação e esse contexto esteja dentro do consenso entre xs manifestantes). Que fique claro, o que estou dizendo não é que não devemos atacar o Estado. Ele deve sim ser atacado, das formas que forem necessárias. No entanto, como militantes, devemos ter visão de quando é o momento para se agir radicalmente e quando devemos ter uma postura mais cautelosa, afinal, se queremos nos unir ao povo e apagar a imagem deturpada que a mídia farsante expõe sobre o punk, é necessário que tomemos cuidado com nossos atos, para que possamos atrair mais pessoas em nossa luta. Assim poderemos, juntxs, acabar com as repressões sociais e caminharmos todxs por um mesmo fim: a extinção da exploração e das desigualdades.

Como nós, punks, representamos a luta do povo de todos os cantos, de todos os lugares, é importante não realizar as passeatas e ações somente nos centros das cidades, como acontece geralmente em São Paulo. É necessário que aconteça, simultaneamente, passeatas em todos os cantos da cidade, no centro, no subúrbio, nas periferias, principalmente em zonas carentes de informação. Não só passeatas, mas panfletagens, colagens de lambe-lambes (cartazes), distribuição de fanzines (informativos independentes), debates, eventos direcionados à comunidade, etc. Se a luta ficar apenas concentrada no centro ou apenas em um único ponto da cidade, então nós como militantes não estaremos fazendo nosso papel, que é passar informações e conscientização para todos os cantos e para quantas pessoas for possível.

Outra coisa importante para se dizer a respeito das ações, é que elas não podem acontecer apenas em datas óbvias. A luta é diária e a organização também deve ser! É necessário ação todos os dias, propor novas manifestações e eventos sempre que possível, difundindo assim o ideal libertário.

Ampliemos nosso campo de ação, organizemos com antecedência nossas passeatas, respeitemos o consenso e parceirxs de luta, sejamos cautelosxs nas manifestações e assim iremos conquistar grandes vitórias.

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